quarta-feira, 26 de agosto de 2009

PITÁGORAS DE SAMOS

Pitágoras de Samos talvez seja a principal figura do grupo de pensadores tradicionalmente denominado Pré-Socráticos. Tornou-se figura lendária e a Escola por ele fundada manteve seguidores até a época do Império Romano. Foi o primeiro pensador a usar os termos filósofo e filosofia.
A Escola Pitagórica tinha características de uma ordem iniciática, cujo principal objetivo era o aprimoramento pessoal através dos estudos filosóficos e matemáticos. O silêncio era a regra principal na Escola. Qualquer novo adepto deveria mantê-lo por um período de cinco anos para que fosse aceito finalmente no grupo. Havia também restrições severas quanto ao vestuário e à alimentação. O consumo da carne era proibido entre eles.
Por causa da lei do silêncio, não se registrou por escrito nada dos ensinamentos de Pitágoras. Os dados que nos chegaram são obras de autores e adeptos bastante posteriores que acabaram por romper o silêncio. Os ensinamentos da Escola Pitagórica são encontrados de forma clara ou oculta em vários pensadores posteriores. De Platão até Plotino (Período Romano), vários autores, mesmo que não declaradamente, beberam na fonte pitagórica. Segundo Gorman ...., p.125: “... as doutrinas de Pitágoras foram pregadas abertamente por um período de mil e duzentos anos, que se estendem do século VI aC ao século VI dC, após o que a Idade do Obscurantismo destruiu praticamente tudo. Em Bizâncio, contudo, havia muitos pagãos que, às escondidas, preservaram os antigos valores que reapareceram no Renascimento italiano, quando um bizantino, chamado Pleto, anunciou o retorno dos antigos deuses em sua obra intitulada leis.”
Mas quais eram os principais pontos do pitagorismo? Em se tratando de Pitágoras, é conhecimento bastante difundido que sua escola filosófica desenvolveu-se em torno da noção e do valor do número como entidade explicativa do mundo. Aristóteles, na sua Metafísica, afirma que, para os pitagóricos, os princípios matemáticos – ou seja, os números – são a origem das coisas. Fica claro, portanto, que para Pitágoras, os números ocupam o mesmo lugar que os princípios materiais propostos pelos pensadores que lhe foram anteriores. A matemática tem sua importância enquanto fundamento da ordem e da unidade do mundo.
É importante lembrar que, na época de Pitágoras, não se usavam os numerais indo-arábicos. Usavam-se seixos em disposição espacial no chão ou outra superfície. Daí a relação entre significado aritmético e significado geométrico. A tetraktys, figura abaixo


tinha status de figura sacra e sobre ela faziam-se juramentos. Essa figura representa o número 10 numa disposição geométrica cujos lados são formados pelo número 4. Cada número na seqüência 1-10 é analisado em suas potencialidades significativas e as oposições entre os números explicam oposições entre as coisas. A partir da oposição fundante do par/ímpar, os pitagóricos desenvolvem um quadro das oposições fundamentais (limite/ilimitado, unidade/multiplicidade, direita/esquerda, macho/fêmea, quietude/movimento, reta/curva, luz/trevas, bem/mal, quadrado/retângulo). A harmonia, que se revela especialmente na música, é a responsável pela conciliação desses opostos.
Tomando como os números como base de uma metafísica refinada, os pitagóricos elaboraram doutrinas cosmológicas e antropológicas. Para Filolau, pensador pitagórico, a diversidade encontrada nos elementos corpóreos devia-se às formas geométricas das particulares que os formavam. Sua cosmogonia estabelecia a existência de um fogo central – a mãe dos deuses ou Héstia – que atrai para si as partes do ilimitado que o circundam. Essas partes são limitadas e plasmadas por esta atração. A repetição desse processo forma o universo. Para Abbagnano 1976, p. 41, “é notável que, em conformidade com esta cosmogonia, os pitagóricos cheguem a uma doutrina cosmológica que os faz contar entre os predecessores de Copérnico. O mundo é por eles concebido como uma esfera, no centro da qual está o fogo originário, e em trono dele movem-se de ocidente para oriente, dez corpos celestes...” O movimento harmônico dos corpos celestes produz um som musical que Pitágoras denominou ‘música das esferas’. Além do cosmos, a harmonia está presente na alma humana, justificando a elaboração de uma ética pautada na justiça, essa, por sua vez, representada por um número quadrado. Do número ao número, a perfeição não está no começo, mas no fim.

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